Greve da função pública com 65% de adesão, diz sindicato


A paralisação, convocada pela Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (Fesinap), abrange trabalhadores da administração pública e do Serviço Nacional de Saúde. Em causa estão exigências como a valorização salarial e a atualização do subsídio de refeição.


A greve da função pública desta segunda-feira (23) registou uma “adesão significativa” em vários setores, com especial impacto na saúde e na educação, segundo a Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (Fesinap), um sinal, para o sindicato, de que há um conjunto de reivindicações que continuam sem resposta por parte do Governo.

Em declarações ao JPN, Carlos Machado, vice-secretário-geral da federação, explicou que a paralisação abrange não só trabalhadores da administração pública, mas também “os que estão integrados no Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente os que trabalham nas unidades hospitalares integradas nas unidades locais de saúde”, afirmou.

Entre as principais razões para o protesto estão questões salariais e de reconhecimento do tempo de serviço. O dirigente sindical critica o facto de nem todo o percurso profissional dos trabalhadores estar a ser considerado: “Os serviços só estão a considerar para efeitos deste descongelamento remuneratório os contratos de trabalho por tempo indeterminado, quando nós entendemos que todo o tempo de serviço, independentemente do tipo de contrato, também deve ser considerado”.

Outro ponto central prende-se com o aumento do custo de vida e a necessidade de atualização de apoios. “Entendemos que o suplemento remuneratório, ou subsídio de refeição, também deve ser atualizado”, defendeu, apontando para o contexto internacional como fator agravante. “Com esta crise que existe a nível mundial, derivada da Guerra do Irão e também da invasão da Ucrânia, o custo de vida está a aumentar”, sublinha.

No setor da saúde, a federação denuncia ainda problemas específicos relacionados com as condições de trabalho. “Há uma excessiva carga horária e entendemos que os trabalhadores dos hospitais também devem ter um suplemento de risco”, sublinhou, acrescentando que várias profissões devem ser reconhecidas como de desgaste rápido.

A relação com o Governo é outro dos focos de crítica. Segundo Carlos Machado, as federações independentes têm sido sistematicamente excluídas dos processos negociais. “O governo só fala com sindicatos afetos à CGTP e à UGT, desprezando por completo as federações e os sindicatos independentes”, acusou, acrescentando que existem propostas concretas já apresentadas “mas sem qualquer resposta”.

Ainda assim, o responsável admite que o impacto da greve varia consoante os setores e regiões, tendo em conta também o peso financeiro para os trabalhadores. “Estamos satisfeitos com o número que temos até agora, mas entendemos que uma greve também pesa no bolso dos trabalhadores”, referiu. Dados preliminares apontavam, durante a manhã, para uma adesão na casa dos 65%, dado que foi posteriormente confirmado pela Fesinap.

Quanto ao diálogo institucional, o dirigente sindical diz que este tem sido praticamente inexistente. “Diálogo com o governo não há”, afirmou, referindo que a última reunião ocorreu ainda antes da queda do anterior executivo. Desde então, apesar de vários pedidos, a federação não voltou a ser recebida. Perante este cenário, a Fesinap não exclui novas formas de luta caso as reivindicações continuem sem resposta. “Sempre que entendermos que as nossas questões colocadas, não têm resposta, nós agiremos da maneira que os nossos associados e os trabalhadores que nos apoiam entenderem”, concluiu Carlos Machado.
